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DURA PRAXIS, SED PRAXIS

«A tua mãe é um homem!». Enquanto a frase ainda ecoava nos meus ouvidos, olhei em frente e eis que me deparo com uma azáfama de pessoas a correr de um lado para o outro. O preto das capas esvoaçantes contrastava com o verde da relva que tão bem conhecemos hoje o cheiro, tal foi a quantidade de tempo lá despendido. Tentei alcançar a porta que tantas vezes viria a fazer parte do meu futuro quotidiano sem ser visto. No entanto, logo vieram ter comigo e foi entre «olhos no chão!», «de quatro, já!» e muitos outros gritos que a recepção aos paraquedistas foi feita e o seu percurso na vida académica iniciada.


Sinceramente ainda hoje não sei o que me passou pela cabeça: se era a adrenalina que sentia quando me gritavam aos ouvidos; se o arrepio na espinha quando me apercebia que tinha errado uma das infindáveis perguntas a que todos fomos sujeitos; ou se, pura e simplesmente, tinha curiosidade em saber mais acerca daquele novo mundo. A verdade é que, no dia seguinte e por auto-recriação, lá estava novamente, a rebolar, a gritar e a cantar «Nós somos Farmácia, não somos marrões…» pela enésima vez.
Estava a começar a compreender o real significado da Praxe. Ela impõe a igualdade entre todos os estudantes através do traje académico; ensina-nos que em qualquer sector da sociedade existe uma hierarquia que tem de ser respeitada, quer isto nos apraza ou não; alerta-nos para a importância das regras e seu cumprimento. É um método de inserção dos novos alunos no ensino superior; é uma premissa que nos permite o desenvolvimento e enriquecimento enquanto pessoas e como membros de uma comunidade.


Praxe é aprender e ensinar; é respeitar e ser respeitado; é ver um medo inicial transformar-se numa grande amizade; é um apelo à persistência e ao perfeccionismo; é o demonstrar de um orgulho enorme pelas tradições deste «rectângulo à beira-mar plantado».
A verdade é que com Ela (se me permitem a ousadia de utilizar maiúscula, tamanha é a sua importância) aprendemos através do erro, que seguramente não iremos cometer de novo. Aprendemos a não desistir à primeira dificuldade. E no final, se estivermos a sorrir, recordando com saudade tudo aquilo pelo qual passámos, sabemos indubitavelmente que vivemos a Praxe da maneira correta.

DURA PRAXIS, SED PRAXIS!

Bernardo Rodrigues

pharmacevtica | Associação dos Estudantes da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa | publisherph@aefful.pt



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