Farmacêuticos no estrangeiro: O porquê de emigrar
Emprego certo não está na mente de ninguém neste momento. As “pequenas exigências” que talvez anteriormente houvessem quanto a um futuro emprego são abolidas à partida, instalando-se o novo pensamento de que já teremos sorte se arranjarmos trabalho rapidamente. Atenção que esta situação não é apenas referente à empregabilidade na farmácia comunitária, o problema extende-se desde a indústria ao ensino, das análises clínicas à investigação. Colocamos então a questão: “porque não tentar lá fora?” E assim, contribuimos para o tão falado (e desmotivador) fenómeno da “Fuga de cérebros”.
Diariamente perdemos das melhores mentes, dos melhores cientistas, dos melhores farmacêuticos para países que pura e simplesmente oferecem algo tão simples como condições para que possamos fazer, da melhor forma possível, aquilo em que somos bons. Contam-se pelos dedos os alunos brilhantes que querem continuar os seus estudos e que ficam em Portugal. As bolsas no estrangeiro são apelativas. Cativam-nos desde cedo com promessas de uma carreira com melhor estabilidade que no nosso país, mais bem paga, e com melhores condições de trabalho nas áreas que cada um mais gosta. Pessoalmente tive, e continuo a ter, contacto com duas alunas de farmácia que nunca tinham pensado deixar a família ou amigos por um país novo. Como alunas tiveram todo o mérito que é possivel obter nesta instituição, a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, mas nem assim os seus futuros foram assegurados em Portugal.
Actualmente encontram-se a fazer o Doutoramento em Londres, relutantes em voltar para casa. É de facto uma pena perdermos tantos profissionais de qualidade por incompetência do país em dar condições e motivação à camada jovem dos futuros farmacêuticos em formação. O mal agrava-se ainda mais quando começamos a entrar de forma mais profunda no sector farmacêutico. Vemos 600 farmácias em risco de fechar e um modelo sólido e coeso de Farmácia Comunitária a começar a desmoronar-se. Lutamos por mudança mas a luta está longe de acabar e a dificuldade só aumenta. Já não são só principalmente jovens a emigrar, são pessoas de todas a idades que simplesmente querem continuar a fazer o que toda a vida fizeram, a dar o seu contributo à saúde pública na área que desde novos escolheram adoptar.
É uma pena vermo-nos quase forçados a sair do país para podermos fazer aquilo que de bom grado faríamos cá. É uma pena raramente nos serem dadas condições para expandir e aplicar da melhor forma o máximo das nossas capacidades, e é uma pena começarem a ser escassas sequer a existência de oportunidades para aplicar as nossas capacidades basais de Farmacêuticos. Penso que o sentimento geral é de desmotivação, e isto sim, isto é uma pena, criar uma geração de profissionais desmotivados com o país.
João Ravasco, 1nov2012

Não é novidade para nenhum de nós a actual crise e dificuldade em arranjar emprego em Portugal. Os tempos áureos já lá vão e ninguém conta que voltem tão cedo, o que torna a emigração uma opção mais e mais apelativa. Quem antes já pensava em largar a pátria à procura de um futuro certo, certamente que agora já tem bilhete de ida comprado. Quem antes não considerava esta hipótese, começa a ver que talvez seja melhor pensar duas vezes. Nós, como futuros farmacêuticos, o que podemos esperar?

