Simbiose Bernardo Rodrigues, 15nov2012
Enquanto estudantes de Ciências Farmacêuticas temos a sorte de viver num dos períodos áureos da história desta área. É indubitável que, após cinco anos de estudo no ensino superior e sendo distinguidos com o tão inalcançável (após Bolonha) título de “Mestres”, teremos toda uma panóplia de empresas, indústrias, farmácias e hospitais a tentarem exaustivamente assegurar os nossos préstimos. Nossos e de todos os outros recém-saídos das NOVE faculdades que existem de Ciências Farmacêuticas espalhadas de norte a sul do país (das quais os distritos de Lisboa e Porto contribuem com umas míseras seis do total). Aliás, até me interrogo acerca do porquê de, nos dias que correm, a “fuga de cérebros” ser um fenómeno tão comum

em Portugal, tal é a quantidade de oferta de emprego que possuímos, opostamente ao ínfimo número de jovens farmacêuticos a ingressarem no mercado de trabalho ano após ano. Valha-nos a preferência que nos dão em relação aos corriqueiramente apelidados “Técnicos de Farmácia”!
Como se não bastasse, e contribuindo ainda mais para a estável situação que se vive no sector, muitas são as farmácias em risco de fechar, para não falar do êxodo das indústrias que preferem ir para países economicamente mais apelativos. Podemos ao menos vangloriarmo-nos do enorme apoio prestado pelo Estado, concedendo uma grande fatia do orçamento actual para o ensino! Ah, calma, afinal não. Além da não-contribuição para a aquisição de material essencial para a prática laboratorial, as dificuldades dos reitores para pagamentos de salários dos docentes são cada vez maiores. Acrescido a isto, o pouco auxílio na área da investigação leva a que apenas a persistência dos envolvidos contrarie uma estagnação científica a nível nacional.
E não acaba aqui aqui! Para além de todos os benefícios supracitados, o farmacêutico, enquanto profissional de saúde, viu o seu salário diminuído, o seu horário laboral aumentado e a progressão na carreira dificultada.
Enquanto estudantes deste curso, representamos aquilo que será o futuro da profissão, quer nacional, quer mundialmente. Há que apostar na formação individual de cada um; ser empreendedor e procurar melhorar um sistema de saúde que peca mais por falta de organização que por falta de qualidade. Quanto às entidades governamentais, devem tomar consciência das dificuldades existentes no sector e promover medidas para a sua amortização. A verdade é que tudo não é mais que uma relação simbiótica, nós precisamos do Estado para subsistir; todos precisam de nós para viver.

