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sobreVIVER Flávio Monteiro

Muitas vezes inquietamo-nos sobre o facto de existirmos, de qual o nosso verdadeiro papel nesta vida, de que forma queremos viver as vicissitudes circundantes.


A verdade é que me encontro neste momento sem saber muito bem o que quero. Não sinto o tempo lá fora, não sinto o tempo cá dentro. Algo passa por mim e deixa mossa.


Será que estou a viver ou sobreviver?


Segundo o dicionário português Viver é exercício de contínua e exclusiva contemplação do mundo físico e humano que nos rodeia no espaço e no tempo. Apraz-me dizer que cada vez nos afastamos mais desta minha noção... espero, sinceramente, que o problema seja meu!



 

Por outro lado, Sobreviver é continuar a viver depois de outro, continuar a existir depois de grave perda. É resistir, enfrentar, atravessar, escapar. Por muito que me custe, e não querendo ser pessimista, pois não o sou, acredito que actualmente sobrevivemos. E pouco vivemos. Ou mesmo nada!

Mas desistir nunca foi o melhor remédio, e agora também não o será. Se somos obrigados a sobreviver, então que o façamos, mas de forma alegre e entusiasta, olhando o futuro como algo próximo e melhor.



Não tenho um milagre para vos dizer de como sobreviver, mas quero que percebam que com um optimismo desmesurado tudo será mais fácil.



Lembras-te daquilo que aprendeste na escola primária e depois no 1ºciclo? Recordas-te dos povos que facilmente arranjavam forma de comer, de se defender, de dormir? Eram autónomos e não dependiam de ninguém. Nem de nada. E nós, porque não conseguimos agora fazê-lo? Seremos nós seres “tecnológicos”? Ou seremos uma mera adaptação de um mundo em constante mudança?



Sinceramente, prefiro não responder. Já pensaram no bom que seria podermos aproveitar o que a natureza nos oferece. Pensem bem: poder acampar em terrenos desconhecidos, poder viver sem o telemóvel, o computador e o Facebook, poder viver desligado dos bens terrestres, poder correr campos e campos sem olhar para trás e pensar nas consequências, poder contemplar as estrelas no céu numa noite limpa, contemplar o mar numa tarde à beira-mar, poder contemplar o horizonte num dia sem fim… Alguma vez o fizeste? Pensa para ti e não te tentes enganar.



Não sei muito bem o que estou a escrever. Não sei ao certo se quero escrever sobre viver ou prefiro antes sobreviver. Só sei que não me habituo facilmente a esta concorrência desleal e pouco humilde do paradigma actual. Gostaria de me manter no meu mundo, em algumas circunstâncias procurar algo mais, mas não encontro estabilidade para o fazer.



Se vivo, sobrevivo. Ao sobreviver, procuro viver. Esta dicotomia consome-me e não me deixa procurar mais.



Dou-te um conselho: vive a vida, tira proveito até ao fim da corrida. Se hoje está sem baixo, amanhã dá a volta por cima.



Sê quem queres ser!

 

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